Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente…
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor - oh, a mulher amada é como fonte!
A mulher amada é como o pensamento filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram-se mudando em príncipes de mãos finas e rostos tranfigurados…

Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.

— Vinicius de Moraes, “A Brusca Poesia da Mulher Amada”. (via outonodemim)

10:40
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