— Florbela Espanca
Onze de março de dois mil e doze. Diante dos meus olhos se ergueu o primeiro muro entre nós… De palavras. Palavras ditas sem razão, confusas, embaralhadas. Dizíamos tudo e nada. Palavras desgovernadas, como se somente servissem para separar uma coisa da outra. E eu, mal sabendo, que talvez - apenas talvez - esse fosse o início de mais uma nova e longa jornada.
Raissa A.
9:47— Tom Jobim
— Carlos Drummond de Andrade
Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!
Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!
Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.
Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
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Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!
ESPANCA, Florbela.
“Quem Sabe?!…”
O Livro D’Ele
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.
— Cinatti, RUY.
“Quando o Amor Morrer Dentro de Ti”
Obra Poética
— Machado de Assis - Quincas Borba
